Eliana: “Quando olho para trás e vejo que mais acertei do que errei, fico mais forte”

Estrela da primeira capa de Quem em 2025, Eliana dá boas-vindas ao ano como uma personalidade que sabe se reinventar e assumir novas responsabilidades. Aos 52 anos de idade e mais de três décadas na televisão, a apresentadora está à frente do The Masked Singer Brasil, que estreia no dia 12 de janeiro, nas tardes de domingo na TV Globo, e do Casa de Verão, no GNT, a partir do dia 22.

“De tempos em tempos, o que faço com a minha carreira é inovar. Desde a primeira transição que fiz — do público infantil para o adulto –, foi tudo muito pensado e feito de maneira consciente. Não foi fácil”, afirma Eliana, sem esconder o orgulho ao falar que se mantém há 20 anos na grade dominical. “Gosto de inovar, de me movimentar e sair da zona de conforto. Quando veio o convite da TV Globo, foi uma coincidência de vida — profissional e pessoal — muito boa”, diz ela, que estreou em agosto do ano passado âncora do semanal Saia Justa, também no GNT.

Após passar uma tarde com a equipe de Quem para a realização deste ensaio fotográfico, a apresentadora contou que iria correr para casa e ficar com os filhos — Manuela, 7 anos, e Arthur, 13. “Sou uma mãe com seus corres. Entendo todos os meus privilégios, mas vivenciei todas as questões da maternidade. Quando eles eram pequenos, me importei muito com a amamentação, passei pela privação do sono… Sou a mãe que chora, se diverte e se joga no chão. Faço o maior esforço para conciliar a minha carreira e ver meus filhos crescerem. Vi os primeiros passos do Arthur e da Manuela, descobri os primeiros dentinhos de cada um deles”, diz.

A atenção aos filhos é uma prioridade para a apresentadora. “Um dos meus pedidos para a TV Globo foi ter férias com as minhas crianças. Queria ter janeiro livre para que eu pudesse realmente curtir com meus filhos. Afinal, é o momento que eles esperam que a mãe possa estar com eles”, disse ela, contando que o marido, o diretor Adriano Ricco, vai acompanhar a família. “Depois de alguns anos, ele vai poder ir junto”, comemora, citando que a possibilidade de trabalhar com o companheiro no futuro não é uma meta. “Sempre separamos muito bem nossos trabalhos. A gente sempre respeitou o espaço um do outro. Temos nossas carreiras independentes.”

Ao falar sobre a trajetória profissional, Eliana lembra que passou por altos e baixos. Ela chegou a ter um programa, o infantil Festolândia, cancelado por Silvio Santos (1930-2024) após três meses no ar. Decidida a permanecer no ar, ela foi conversar com o dono do SBT, emissora que a lançou e projetou. “Não fui para casa me lamentar e me vitimizar. Fui atrás e pedi para ele não me tirar do ar. Consegui convencê-lo de que eu seria útil fazendo um projeto menor. Retrocedi alguns passos para poder seguir e estar onde estou hoje. Parece clichê, mas a verdade é que precisei dar alguns passos para trás para poder seguir em frente.”

Quem: Uma mudança e virada profissional marcou seu último ano e agora, logo no início de 2025, vamos poder ver os resultados de Masked Singer Casa de Verão. O que fez com que encarasse esse desafio, somado ao Saia Justa, de estar à frente de formatos tão diferentes?
Eliana: Vivi muitos anos em menos de seis meses. Cheguei na TV Globo já trabalhando muito, em várias frentes, ganhando esse sofá icônico, que é o do Saia Justa, em que pude debater assuntos importantes para o universo feminino. É um programa que já fez história para tantas mulheres. Houve essa renovação de perfil do GNT, trouxemos novos ares e resultou no sucesso comercial, de audiência, aumento do público jovem assistindo ao Saia. A temporada é sucesso absoluto na Globoplay, aumento bem expressivo por lá. Isso são dados. Fora a honra de ser âncora de um programa com tanta credibilidade e importância.

Além do Saia, ter recebido o Masked, que é um sucesso mundial, é a possibilidade de estar na TV aos domingos. Em 2025, completo 20 anos na programação dominical e é um lugar que me sinto em casa, à vontade. Já são muitos anos falando com a família brasileira. Poder estar na TV Globo — a segunda maior do mundo e a primeira da América Latina –, mostra que continuarei falando com o público que eu sempre falei e ampliando ainda mais a minha comunicação. Comecei com muitos projetos e trabalhando bastante. Estou fazendo tudo o que foi combinado e acertado entre nós. Estou muito realizada e feliz. É uma escolha acertada do ponto de vista profissional e pessoal.

A mudança profissional foi uma escolha bem pensada, certo? Não foi uma decisão tomada repentinamente.
De tempos em tempos, o que faço com a minha carreira é inovar. Desde a primeira transição que fiz — do público infantil para o adulto aos domingos –, foi tudo muito pensado e feito de maneira consciente. Não foi fácil. Precisei passar por alguns processos. Fiz terapia, fiz fono, passei por uma sexóloga para sair daquele universo e pensamento focado no público infantil. Coloquei para fora a mulher que já existia e que estava em um lugar guardadinho — só para minha casa e amigos, não publicamente. Passei a me comunicar com a família brasileira e, especialmente, com as mulheres. Houve não apenas a transição profissional, mas houve também a transição da menina para a mulher. Isso foi muito bem trabalhado, quando encerrei o Eliana e Alegria e estreei o Tudo é Possível, na Record. Gosto de inovar.

“Fiz terapia e passei por uma sexóloga ao sair do universo focado no público infantil. Coloquei para fora a mulher que já existia e que estava em um lugar guardadinho”

E foi bem-sucedida!
Com o sucesso do Tudo é Possível, recebi o convite para voltar ao SBT, casa onde tudo começou. E lá fui eu inovar novamente. Não era mais a apresentadora infantil, era a mulher aos domingos, ambiente predominantemente masculino. Lá, fiquei mais 15 anos. Gosto de inovar, de me movimentar e sair da zona de conforto. Quando resolvi que estava disposta a fazer isso, veio o convite da TV Globo para que eu fizesse esses novos programas. Foi uma coincidência de vida — profissional e pessoal — muito boa. Isso veio aos 50, fase em que pensei muito sobre o que eu desejava para a minha vida. Tenho um balanço muito especial do ano que passou.

E já são mais de 30 anos como comunicadora. Em algum momento, a insegurança bateu?
Acho que se ficarmos esperando o momento ideal por conta do medo, nós paralisamos. Com a experiência que eu tive nas transições que fiz, digo que as fiz com uma coragem extra, consciente, pisando firme e acreditando. Não que eu estivesse em um ambiente totalmente seguro, mas ia me adaptando e fazendo acontecer. Não existe segurança total em nada na vida. A gente não sabe como será o dia de amanhã, a gente não sabe o que vai acontecer depois que terminarmos essa entrevista. Certeza nunca temos. Ou você fica estagnado e com medo do próximo passo, ou você dá esse passo estando pronto ou não. Segura ou insegura. Isso vai da personalidade de cada um. Tenho uma personalidade ousada neste lugar do ofício.

Avalia que isso foi determinante para conquistar o que conquistou?
Acho que se eu não tivesse me renovado ao longo dos anos, eu não teria meus 35 anos de que me proponho a fazer. Gosto de experimentar novos caminhos. Para 2025, quero consolidar esse espaço na nova TV e ganhar novos espaços. Peço muita saúde porque sem saúde não consigo realizar nada. Saúde é o que peço a Deus todos os dias para seguir com a minha carreira, minha vida pessoal ao lado dos meus filhos e minha família. Tenho grande amor pelo ofício e respeito ao público. A credibilidade que ganhei ao longo dos anos é um tesouro. É muito, muito, muito precioso manter uma carreira como eu mantive e perceber o público me acompanhando durante todas as etapas.

Nessas etapas profissionais, você acompanhou mudanças dos meios de comunicação. Enquanto você realizava este ensaio para Quem, você comentou que ter sido flagrada de biquíni por um paparazzo, em 2021, acabou te libertando. Como foi vivenciar aquele momento?
Quando fui fotografada de biquíni e de costas por um paparazzo, diferentemente do que as pessoas possam imaginar de que eu possa ter ficado brava por ter sido pego de surpresa, eu fiquei feliz. Nunca mais deixei de mergulhar no mar com meus filhos por receio de algum julgamento ou pelo receio de ter uma foto roubada de um momento íntimo e pessoal. Aquele episódio me deu uma liberdade que, talvez, eu não conseguiria sozinha. Precisei do olhar de uma outra pessoa, que tornou pública essa minha imagem e até gostei do que eu vi (risos). Sozinha, provavelmente, não registraria, mas a foto acabou me libertando no lugar de mãe e mulher. Muitas vezes, eu deixava de caminhar na praia com medo de julgamento do corpo. Infelizmente, essa lupa está muito em cima dos corpos femininos. Quando vi meu corpo naquelas fotos — meu corpo como ele é, sem uma boa luz, sem um bom ângulo — de a vida como ela é, meu sentimento foi de ‘obrigada, paparazzi, por este momento libertador’.

“Nunca mais deixei de mergulhar com meus filhos pelo receio de ter uma foto roubada”

O que poderia ser um climão, você soube ressignificar.
Total! Isso faz parte da minha personalidade de querer enxergar algo que eu possa ter como experiência de vida. Tinha duas opções: ou eu ficava brava e contrariada com o que aconteceu, ou decidia que iria colocar meu biquíni cavadinho que eu adoro e mergulhar por aí. Podem fotografar à vontade. Estou livre dessa sensação que me deixava receosa. Isso já tem uns anos, mas se tornou tão marcante que me perguntam se fiquei brava. Pelo contrário, fiquei agradecida.

Você falou que vem de uma família de mulheres empoderadas, mas seu empoderamento tem ficado mais nítido nos últimos anos. Quando você descobriu essa sua potência?
Quando você é mais jovem, você ainda tem muitas inseguranças. A maturidade te coloca em um lugar de avaliar erros e acertos. Quando olho pra trás e vejo que mais acertei do que errei, fico mais forte. Observo que trilhei um caminho que está dando certo e isso te fortalece. Os erros também fortalecem. A maturidade também dá força para seguir. A maneira de me comunicar e ser ouvida também poderia ser instrumento para outras mulheres escutando as minhas histórias — histórias de vulnerabilidade que já vivi, o que ficou muito evidente e foi muito forte para mim, pessoalmente e profissionalmente. Precisei ficar cinco meses hospitalizada na gestação da Manuela. Quando soube que teria que ficar fora do ar, quis dizer o que estava passando ao público. Porém, não tinha a dimensão da importância que isso teria por existir uma identificação com outras mulheres. Quando percebi que isso aconteceu, me dei conta que eu tinha um propósito para além de entreter. Entendi que precisava fazer boas trocas com as mulheres que me acompanham. Quando eu me coloco em um lugar vulnerável e abro o coração com transparência, o retorno vem de maneira muito positiva para mim e para quem me cerca.

E busca trazer essa transparência nas redes sociais também?
Nas redes sociais, quando trago um mensagem de mulher para mulher, sem ser a comunicadora, mas a mulher que vive seu cotidiano – claro, com todos os seus privilégios – percebo um engajamento e uma identificação muito maior. É gostoso falar de mulher para mulher. Percebi que minha comunicação pode inspirar, pode transformar e que eu também me sinto muito acolhida quando faço isso. Cria um retorno muito positivo. Um post sem maquiagem, uma resposta que dou de que nunca deixarei de dar um mergulho na praia com meus filhos por conta do olhar dos outros para o meu corpo… A gente vai se libertando de questões que nos foram impostas – não por uma ou duas pessoas, mas por questões de educação e da sociedade em que a gente vive.

Profissionalmente, você começou cedo no meio artístico. Hoje, você tem as rédeas da sua carreira. Como foi esse processo de saber para que lado direcioná-la?
A resposta para isso vem de saber onde se quer chegar. Quando a gente não sabe para onde quer ir, a gente aceita qualquer coisa. Desde muito jovem, eu sabia onde eu queria chegar. Eu queria ser artista, eu queria me comunicar. Não foi minha mãe que me levou. Fui eu quem quis ser levada para testes de trabalhar neste ofício. Nada foi imposto. Foi uma decisão minha, de gosto pessoal e deu certo. Eu poderia ter querido ser e não ter conseguido, mas deu tudo certo. Apontar para um caminho e seguir já é um passo para realizar o que deseja, sem desviar sua atenção e não deixar que ninguém desvie a sua atenção para você atingir aquilo que você sabe que pode alcançar. Tomei as rédeas a partir do momento que decidi o que eu queria ser.

No momento em que o Silvio Santos me convidou para fazer meu primeiro programa na TV e, em três meses, esse programa foi extinto, eu não fui para casa me lamentar e me vitimizar. Eu fui em busca da minha vontade de permanecer no ar. Fui atrás e pedi para ele não me tirar do ar. Consegui convencê-lo de que eu seria útil fazendo um projeto menor. Retrocedi alguns passos para poder seguir e estar onde estou hoje. Parece clichê, mas a verdade é que precisei dar alguns passos para trás para poder seguir em frente.

“Retrocedi alguns passos para poder seguir e estar onde estou hoje”

Você tinha um programa de auditório e com cenário caprichado, o Festolândia, e foi apresentar o Sessão Desenho, atração que comandava sentada em um banquinho em um fundo de chroma-key. Esse foi o retrocesso?
Exatamente. Daquela dificuldade momentânea, eu busquei algumas oportunidades na minha vida. A música Os Dedinhos surgiu ali porque – como aparecia apenas da cintura pra cima – só tinha as mãos para me comunicar em uma coreografia, além da expressão facial. Eu fiz da dificuldade uma oportunidade. Com Os Dedinhos, veio meu primeiro álbum. Ao todo, foram 16 álbuns infantis. O programa foi ampliado, depois ganhei o Bom Dia e Cia., que depois virou Eliana e Cia., fui chamada pela Record, lancei o Eliana e Alegria… A história seguiu.

O grande público que te conhece pela TV tem uma imagem de que você é uma pessoa muito certinha. Você se permite algumas derrapadas?
Lógico! Óbvio!

O que deixaria as pessoas surpresas?
Não sei. Sou uma mulher de 52 anos. Já errei e posso errar, muitas vezes. O que eu sou é discreta. Sou uma mulher discreta. Tenho um perfil discreto, mas já errei muito nessa vida. E é normal. A vida é feita de erros e acertos. Tem gente que passa por uma vida e não aprende, mas a ideia é que a gente aprenda.

No programa Casa de Verão, que estreia em 22 de janeiro, no GNT, você mostra um lado vida real, não?
Consegui trazer uma recepção íntima e calorosa para um programa de televisão. Os convidados esqueciam que havia câmeras. A ideia era que fosse mesmo um reality. A gente passava um fim de semana. Tem momentos de muita descontração, mas também de muita emoção. As pessoas vão me ver cozinhando.

“Tenho um perfil discreto, mas já errei muito nessa vida. E é normal”

Nossa! E cozinhar não é do seu dia a dia, né?
Do meu dia a dia, não. Mas fui criada em uma família em que minha mãe dizia que eu tinha que fazer de tudo um pouco. Desde pregar um botão, fazer uma barra, fiz até meias de lã de tricô para mim. Minha mãe era quem produzia nossas blusas de lã no inverno. Sei fazer de tudo — cozinhar, lavar, passar… –, apesar de as pessoas não acreditarem. Não faço no dia a dia por conta do trabalho e porque tenho pessoas que me ajudam. No Casa de Verão, fiz uma receita de infância, também preparei um macarrão vegano para Xuxa. É um programa em que tivemos conversas muito sinceras e declarações muito especiais dos convidados.

E é um timaço de convidados!
Sim. Além dos convidados conhecidos do grande público, trouxemos histórias de pessoas comuns. As gravações foram em Angra dos Reis e apresentamos casos de pessoas que venceram na vida de diferentes formas e de maneira inusitada, seja vendendo milho, camarão. São histórias de superação e vitória de pessoas comuns.

“Sei fazer de tudo — cozinhar, lavar, passar –, apesar de as pessoas não acreditarem”

Estamos com expectativa para o Masked Singer, em uma temporada que vai celebrar os 60 anos de TV Globo e trazer personagens icônicos de novelas. Já teve vontade de se mascarar e passar ilesa?
Na juventude, eu já fiz muito isso. Eu ia para algumas baladas e colocava peruca para poder curtir mais. Fazia isso na minha solteirice para atender o desejo de me divertir. Mas nunca dava muito certo. Acabava tirando a peruca e me divertindo do jeito que eu queria. Hoje, eu brinco com essas coisa de perucas na vida particular mesmo, para uma festa, para fazer um charme. Amo as possibilidades de ser camaleoa. Para este ensaio, inclusive, fotografamos com uma peruca de fios curtos. Acho muito divertido poder ser várias mulheres em uma só. É muito legal se ver de diferentes formas.

“Sou brava. Quando me subestimam, fico muito brava”

E da sua personalidade? Tem alguma característica que você gostaria de mascarar?
Essa eu vou pensar (pausa)… Eu sou brava. Apesar de ser doce, quando eu sou brava, eu sou brava. Às vezes, eu poderia ser menos brava. Respirar mais fundo em algumas ocasiões… Este é um traço da minha personalidade que, em alguns momentos, não dá para esconder, não dá para não ser. Quando me subestimam, fico muito brava, especialmente no lugar da mulher no trabalho. Isso transparece – e, às vezes, transparece em situações que estrategicamente não são muito boas. Paciência. É a maneira que tenho de defender o que eu sou hoje. Para sermos respeitadas, precisamos ser mais contundentes em algumas ocasiões porque, de fato, ainda temos um caminho a ser percorrido para sermos vistas de forma mais igualitária. Para isso, às vezes, precisamos nos colocar de forma até mais ríspida para ser compreendida e respeitada.

Masked Singer virá com personagens de novelas. Você tem uma alma noveleira?
Já fui muito noveleira. Vi Roque Santeiro, TietaVamp… Assisti aos grandes clássicos. Essa temporada comemora os 60 anos de TV Globo e também marca os meus 20 anos aos domingos. As novelas são uma paixão nacional. O mundo ama as nossas novelas. Essa temporada tem um júri absolutamente estrelado. Fico lisonjeadíssima por ter pessoas tão queridas e amadas no júri. A Sabrina (Sato) é uma luz, o Belo é um cantor por quem tenho grande carinho, a Tata Werneck tem uma genialidade no humor e, claro, o grande Tony Ramos. O público vai se surpreender com esse ator maravilhoso que se revelou um detetive especialista em descobrir quem são as personalidades por trás das máscaras. Ele deu palpites muito certeiros. O Masked Singer, para mim, é a Broadway da TV brasileira. Quando a gente pensa naquele palco grandioso, nas luzes, no balé, em todos os detalhes, vem a sensação de que estou na Broadway da TV. O Masked tem um formato que encantou o Brasil e o mundo. Caprichei nos looks porque o cenário pede looks mais elaborados. A maioria deles é de estilistas nacionais. Sempre gosto de enaltecer a moda brasileira.

“O The Masked Singer é a Broadway da TV brasileira”

O Adriano Ricco, seu marido, foi diretor das temporadas anteriores do Masked. Nesta, a direção não será dele. Foi uma decisão de vocês para não misturar as estações?
Não. As temporadas anteriores foram gravadas em janeiro. Um dos meus pedidos para a TV Globo foi ter férias com as minhas crianças. Queria ter meu janeiro livre para que eu pudesse realmente curtir com meus filhos. Afinal, é o momento que elas esperam que a mãe possa estar com elas. Como as gravações do Masked eram em janeiro, ele trabalhava e eu viajava sozinha com as crianças e minha mãe. Esse ano será muito feliz porque viajaremos todos e vamos poder curtir em família. Depois de alguns anos, ele vai poder ir junto. Antecipei as gravações por conta das férias das crianças. Como ele dirigiu o Prêmio Multishow 2024 – mesma época em que gravamos o Masked –, realmente não deu para conciliar. Não foi uma decisão conversada entre nós. A grande decisão foi a da mãe que quer estar com os filhos em janeiro.

A vontade de trabalhar juntos existe ou não necessariamente?
Não necessariamente. A gente nunca falou disso, na verdade. Sempre separamos muito bem nossos trabalhos. Trabalhávamos em emissoras concorrentes. Agora, não mais. A gente sempre respeitou o espaço um do outro. Temos nossas carreiras independentes.

Seus filhos chegaram a ir pros estúdios do Masked Singer?
No início de tudo, eu queria muito que eles estivessem nos bastidores, mas não foi possível por conta das aulas.

A Manuela já fez um ensaio fotográfico, toda desenvolta. Você acha que ela vai acabar trilhando uma carreira artística?
É muito cedo para definir qualquer coisa. No meu caso, partiu de mim o desejo de ser artista e entrar nesse meio. Espero ser uma boa mãe, como tenho tentado ser, e respeitar o momento certo para poder dar asas aos meus filhos voarem na direção que eles quiserem. Não fico fazendo planos, nem idealizando caminhos para eles. Dou ferramentas para que eles se desenvolvam naquilo que desejarem. Os caminhos serão buscados por eles e estarei ao lado deles, assim como tive minha mãe o tempo inteiro ao meu lado, me apoiando.

“Não fico fazendo planos, nem idealizando caminhos para os meus filhos”

 

Quando você se despediu da nossa equipe no ensaio fotográfico, você falou que a Eliana mãe entraria em ação. Como são seus momentos familiares, a vida longe das câmeras?
Sou uma mãe com seus corres. Entendo todos os meus privilégios, mas vivenciei todas as questões da maternidade. Quando eles eram pequenos, me importei muito com a amamentação, passei pela privação do sono… Tive que equilibrar todos os pratos, sendo mãe, profissional e mulher ficando exausta com tantas tarefas. A gente se coloca metas e vai em busca. Sou a mãe que chora, que se diverte, que se joga no chão. Quando eu saí do ensaio falei: “Gente, preciso ir porque tenho que liberar a babá e a mãe entrar em ação”. Faço o maior esforço para conciliar a minha carreira e ver meus filhos crescerem. Acho que consegui fazer isso muito bem ao longo desses 13 anos. O Arthur tem uma mãe presente, que participa das reuniões de escola e dos eventos da vida dele. A Manu idem. Sou muito aplicada nesse lugar, mesmo tendo uma agenda corrida. Para mim, é muito claro que tudo passa muito rápido. Não quero olhar para trás e pensar que passou e não pude viver. Vi os primeiros passos do Arthur, vi os primeiros passos da Manuela, descobri os primeiros dentinhos de cada um deles.

 

Você vivenciou a maternidade. Não terceirizou

Eu pude. Não é sempre que as mães podem. Tive o privilégio da minha profissão me permitir isso. No estágio em que me encontrava como profissional, pude fazer essas escolhas. Entendo profundamente outras mães que não têm essas escolhas e me solidarizo com elas. Não é uma decisão fácil. Tem a mãe que se não sair para trabalhar o dia inteiro, não tem o que colocar na mesa para o filho. Essas mães merecem todo o carinho e aplausos. Mesmo que não tenham condições de estar fisicamente ao lado dos filhos, elas fazem o que podem para dar o melhor a eles. Eu me vejo com muitos privilégios e, por isso, me esforço para estar presente em todos os eventos importantes das vidas deles.

Da revista Quem